Será que é Demência?

Será que é Demência?

Muitas pessoas associam automaticamente qualquer falha de memória à demência, especialmente demência de Alzheimer (DA).  No consultório, essa é uma das preocupações mais frequentes entre pacientes e familiares. No entanto, é importante entender um ponto fundamental: nem todo esquecimento significa demência.

Com o passar dos anos, algumas mudanças cognitivas são naturais. O cérebro pode precisar de um pouco mais de tempo para recuperar uma informação, lembrar um nome ou aprender algo novo. Esse tipo de esquecimento ocasional faz parte do envelhecimento normal e, na maioria das vezes, não interfere na autonomia da pessoa.
 
Esquecimento não é sempre sinal de doença.

A memória é influenciada por muitos fatores além da idade. Diversas situações do dia a dia podem causar lapsos de memória, muitas vezes temporários e reversíveis. Entre as causas mais comuns estão:

•Estresse e excesso de preocupações
•Ansiedade ou depressão
•Noites mal dormidas
•Uso de alguns medicamentos
•Deficiências vitamínicas, especialmente vitamina B12
•Problemas hormonais, como alterações da tireoide
•Infecções ou doenças clínicas
•Sobrecarga física e emocional
Quando essas condições são identificadas e tratadas, a memória frequentemente melhora.
 
Demência: quando a memória deixa de ser apenas um detalhe. 
A demência não é apenas esquecer algumas coisas. Trata-se de uma síndrome caracterizada por declínio progressivo das funções cognitivas, que pode afetar memória, linguagem, raciocínio, comportamento e capacidade de realizar atividades do cotidiano.
Além disso, existem vários tipos de demência, cada um com características próprias. Entre as mais conhecidos estão:
Alzheimer, LATE, vascular, demência com corpos de Lewy, frontotemporal,  demências mistas entre outras. Somente 25% dos casos de DA são puros e muitas vezes, especialmente nos grande idosos, as etiologias se sobrepõem. 
Cada uma dessas condições tem causas e evoluções diferentes, o que torna a avaliação médica especializada essencial.
 
Quando o esquecimento deve acender um sinal de alerta?

Alguns sinais indicam que os esquecimentos podem não ser apenas parte do envelhecimento normal e merecem investigação:

•Esquecimentos frequentes e progressivos
•Repetir as mesmas perguntas ou histórias muitas vezes
•Dificuldade para lidar com tarefas habituais, como administrar dinheiro ou compromissos
•Desorientação em lugares conhecidos
•Perder objetos com frequência e não conseguir lembrar onde os colocou
•Mudanças de comportamento, humor ou personalidade

•Necessidade crescente de ajuda para atividades que antes eram feitas com autonomia

O valor de investigar cedo

Buscar orientação médica não significa necessariamente receber um diagnóstico de demência. Pelo contrário: muitas vezes a investigação mostra causas tratáveis ou reversíveis para os esquecimentos.

Mesmo quando existe uma doença neurodegenerativa, o diagnóstico precoce permite planejar cuidados, iniciar tratamentos e preservar a qualidade de vida por mais tempo.
Cuidar da cognição é, na verdade, cuidar da autonomia, da dignidade e da qualidade de vida ao longo do envelhecimento.

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