Nem todo tremor é doença de Parkinson.
E a doença de Parkinson também pode existir sem tremor.
Quando pensamos em Parkinson, a maioria das pessoas associa imediatamente a doença ao tremor. Isso acontece porque frequentemente já vimos alguém com a doença tremendo – um familiar, conhecido ou personagem na televisão.
Mas é importante saber: nem todo tremor é Parkinson. Existem diferentes tipos de tremor, e o tremor essencial, por exemplo, é uma condição bastante comum e diferente da Doença de Parkinson. Além disso, nem todo Parkinson causa tremor.
A doença de Parkinson é uma doença neurológica progressiva que afeta cerca de 7 milhões de pessoas no mundo e se torna mais frequente com o envelhecimento.
Cerca de 25% das pessoas com Parkinson não apresentam tremor ao longo da evolução da doença. Nesses casos, os sintomas podem ser mais sutis, o que pode atrasar o diagnóstico.
A doença ocorre devido à redução da produção de dopamina, neurotransmissor responsável pela coordenação dos movimentos do corpo. A dopamina é produzida em uma região do cérebro chamada substância negra. Quando há degeneração dessa área, surgem os principais sintomas motores da doença.
Os três sinais clássicos do Parkinson são:
• bradicinesia – lentidão dos movimentos
• rigidez muscular
• tremor de repouso
Nos pacientes sem tremor, a doença pode se manifestar principalmente por lentidão para caminhar, rigidez ou dificuldade para realizar movimentos finos, como escrever.
Além dos sintomas motores, a doença de Parkinson também pode apresentar sintomas não motores importantes.
Sintomas motores:
• marcha lenta com passos curtos
• dificuldade de equilíbrio
• diminuição do volume da voz
• postura inclinada para frente
• letra progressivamente menor (micrografia)
Sintomas não motores:
• redução do olfato
• constipação intestinal
• distúrbios do sono
• queda de pressão ao levantar
• alterações cognitivas
• dor e fadiga
Embora ainda não exista cura para a doença de Parkinson, existem tratamentos eficazes capazes de controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida.
O tratamento costuma ser multidisciplinar e pode envolver:
• geriatra e/ou neurologista
• fisioterapia
• fonoaudiologia
• terapia ocupacional
A principal medicação utilizada é a levodopa, considerada o tratamento mais eficaz para melhora dos sintomas motores.
Além das medicações, a atividade física regular é fundamental e está associada a uma melhor evolução da doença.
Em casos selecionados, pode ser indicada a estimulação cerebral profunda, conhecida popularmente como “marcapasso cerebral”.
Nem todo tremor significa Parkinson. Mas sintomas como lentidão, rigidez, alterações da marcha, perda de olfato ou mudanças no movimento merecem investigação.
O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento adequado e preservar autonomia, funcionalidade e qualidade de vida por mais tempo.
